HOMES & INTERIORS SCOTLAND, Maio 2025

Estudo de caso: uma belíssima casa de banho rosa numa casa portuguesa

Pequenos detalhes cuidadosamente pensados – os azulejos locais, os acabamentos tradicionais – são o que torna a casa de banho desta casa tão especial

texto Miriam Methuen-Jones fotografia Rodrigo Cardoso

Numa pequena aldeia caiada no sudeste de Portugal encontra-se uma nova casa intrigante. A Casa da Curva está rodeada pela paisagem característica do Alentejo, conhecida pelas suas ruínas históricas, montados de sobro e comunidades acolhedoras. É um local tranquilo para uma casa de férias, próximo do cénico Lago do Alqueva, e os proprietários da Curva viram potencial para criar algo muito especial nesta casa de banho cor-de-rosa.
Para o concretizar, recorreram ao atelier de arquitetura e design de interiores de Lisboa Andringa Studio. O briefing consistia em unir três pequenas casas de aldeia adjacentes numa única habitação privada de grande dimensão – um desafio considerável. 

O plano para as casas de banho foi igualmente ambicioso, como explica a diretora Rita Andringa, que liderou o projeto.
“Os clientes pediram que as casas de banho rosa tivessem a mesma identidade e linguagem que o resto da casa”, recorda. “Como nos inspirámos na arquitetura vernacular local na construção, fazia sentido prolongar essa abordagem para todos os espaços.”
As paredes desta casa de banho rosa são acabadas com reboco rugoso (“com cimento branco e areia amarela”), enquanto os pavimentos combinam cimento e terracota. “Incluímos também alguns enquadramentos intencionais com azulejos zellige”, acrescenta Rita. “Funcionam como belos ‘tapetes’ e são mais práticos para um ambiente húmido.”
A disposição labiríntica das casas combinadas resultou numa série de recantos e cantos interessantes, dos quais os arquitectos tiraram pleno partido. Salientes inesperados tornaram-se prateleiras úteis ou lavatórios embutidos, e a luz entra por ângulos inesperados.
“Trabalhámos intensamente na estrutura das três casas originais para conseguirmos criar uma única casa com intervenção mínima”, explica Rita. “Muitos elementos estruturais foram substituídos e os pátios foram abertos para garantir luz natural em todos os espaços. A casa acabou por ficar repleta de espaços resguardados e nichos onde pudemos introduzir materiais especiais. Estes nichos tornam-se quase altares à natureza.”
Foi dada especial atenção aos azulejos utilizados nas casas de banho. Numa delas, uma simples banheira Roca é envolvida por placas finas em tons de rosa. “Estas são cortadas depois de vidradas e cozidas, deixando as arestas em cerâmica crua e resultando em várias irregularidades de cor na superfície. São espanholas, mas também incorporámos muitos azulejos portugueses e marroquinos: três culturas com uma forte tradição cerâmica.”
Outra casa de banho apresenta azulejos quadrados no contorno da banheira e ao longo da parede traseira. São em diferentes tonalidades de creme e branco-sujo, aplicados de forma completamente aleatória para criar um acabamento orgânico e espontâneo.
Em ambos os espaços, tons de cobre surgem nos elementos metálicos. As torneiras e misturadoras de banho são da Cifial e destacam-se particularmente sobre as paredes de reboco rugoso. “Este lugar foi concebido como uma ‘casa de cura’”, diz Rita. “É uma casa de férias pensada para proporcionar tranquilidade aos proprietários. Materiais como o cobre [associado a propriedades anti-inflamatórias e antimicrobianas] foram escolhidos com esse propósito.”
Como a região do Alentejo é conhecida pela sua olaria, a cerâmica foi utilizada sempre que possível nos acessórios. Em cada casa de banho encontram-se saboneteiras, vasos ou taças decorativas feitas à mão que evocam essa ligação.
A arte e os objetos foram adquiridos em locais como a Oficina Marques e junto de artistas portugueses como Graça Paz e Valter Ventura. Com tanto cuidado e atenção ao detalhe, não surpreende que o resultado seja a própria definição de tranquilidade.